AS MULHERES CRISTÃS QUE FAZEM RAP NO BRASIL (PT. 3)

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A nossa terceira e última parte da matéria dedicada ao mês da mulher é um especial com a rapper Cristina de nome artístico Tina, que é nada menos que a primeira mulher a fazer Rap cristão de que temos registro e informação. Talvez você não seja tão antenado na cena do Hip-Hop Gospel brasileiro e nem conheça a Tina, mas certamente você já ouviu a voz dela em alguma das participações especiais que ela já fez, como em “Contos da Sul” do Apocalipse 16, “Me Faça Forte” do Dexter com MV Bill, “Depois do Casamento” do DJ Alpiste – este último com quem ela já foi casada e teve seus dois filhos.

Tina também já possui dois álbuns gravados “Atitude” de 2002 e “Mina Ouro” de 2006. Entre seu portfólio audiovisual estão os DVDs “O Melhor do Black Gospel” uma coletânea gravada ao vivo que reuniu os grandes nomes desse gênero nos anos 2000 e “Aperte o Play Vol. 2” coletânea também gravada ao vivo organizada pelo grupo Ao Cubo com vários artistas expoentes no Rap cristão nacional.

Atualmente Tina mora em New Jersey (E.U.A.) há 20 minutos de New York e Big Apple. Ela nos contou que reside lá há cerca de 10 anos, entre outras detalhes sobre sua carreira, vida pessoal e profissional que você confere com exclusividade aqui.

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  1. Quando e como foi que você conheceu a cultura Hip-Hop e passou a cantar Rap?

R: Essa é uma pergunta que eu tenho que buscar lá atrás, vou tentar lembrar mais ou menos… Eu acho que conheci o HIP-HOP mais ou menos em 1989, a partir daí eu comecei a me envolver a cultura HIP-HOP.

Eu estava sempre em São Paulo ver o pessoal dançar break, na época era o início de tudo para mim, o HIP-HOP em São Paulo estava crescendo e era muito influenciado pelas coisas que aconteciam aqui em NY, nos EUA, realmente estava muito forte em São Paulo principalmente.

 

  1. Quando e como foi que você conheceu Jesus Cristo e passou a seguir seus ensinamentos?

R: Eu costumo dizer que graças a Deus, foi um momento muito marcante na minha vida quando eu realmente conheci a Jesus. Eu marquei isso a partir da minha gravidez do meu primeiro filho, que foi o Lucas, foi nessa época que eu aceitei Jesus. Eu lembro exatamente porque foi com 7 meses de gestação, então foi no sétimo mês do número perfeito de Deus. Não tem como esquecer porque foi marcado na minha vida com o número 7.

Já fazem 23 anos que eu conheci a Jesus. Mas eu me batizei mesmo, quando eu conheci o Deus Pai, eu tinha 14 anos de idade e me batizei na Congregação Cristã do Brasil, a minha bisavó que apresentou o Deus Pai para nós. Conheci a Deus com aquela santidade daquela igreja que eu amo muito.

Então foi ali meus primeiros passos realmente, mas eu comecei a entender e a conhecer com intimidade a Jesus Cristo quando eu  já estava madura aos 20 anos de idade.

  1. Tem algum álbum, EP, mixtape, videoclipe ou single sendo projetado? Se sim, cite quais.

R: Eu gravei há uns anos atrás um EP aqui nos EUA e eu não coloquei na rua porque eu estava esperando a resposta de Deus, então, aguardei, porém essas músicas gravadas continuam na gaveta. Na verdade eu nunca estive e não estou no “comércio gospel”, não quero fazer parte do comércio, não quero fazer parte do “mecanismo financeiro gospel”, então minha vida teve outra direção, continuo sim sendo abençoada por Deus com várias criatividades que Ele tem me dado, várias portas Deus tem aberto na minha vida. Hoje Deus me deu um “ok”, um sinal verde pra fazer o álbum, então nós vamos trabalhar no álbum agora em 2016. Deus tem trazido as peças certas para esse projeto, que vai ser algo que Ele me deu para que eu possa devolver a vocês que acompanham a minha carreira. Para que vocês possam entender o que Ele tem feito em minha vida e o que eu tenho aprendido com Ele.

  1. Atualmente qual sua profissão (que paga suas contas) e quais seus projetos em andamento no Rap?

R: Hoje eu sou empresária e também sou manager, dentro do meu trabalho eu sou aquela pessoa que dirige e que organiza as coisas, trabalho com pessoas extremamente bilionárias e eu ajudo a vida deles a ficar um pouco mais fácil… Tipo como uma agenda, férias, compras e tudo que se relaciona a… Como fala aquela palavra em português?! Eu perdi um pouco isso… Ahh… Direção (nesse momento Tina falhou na pronúncia por ter perdido o costume de falar sua língua tradicional). Eu sou aquela que cuida de todos os detalhes da vida das pessoas, seria como uma assistente pessoal. Também sou empresária, tenho meu próprio business.

  1. Tem algum projeto relacionado á igreja ou a comunidade onde mora? Se sim, comente sobre.

R: Não, eu não tenho nenhum projeto relacionado à igreja e nem a comunidade. Hoje o meu projeto ele está realmente voltado para esse novo álbum que eu quero finalizar nesse ano de 2016. Realmente ele será para a nossa comunidade ai do Brasil e eu acredito que Deus vai alcançar outros países também.

 

  1. Como você vê os direitos da mulher dentro da cultura Hip-Hop e da cena do Rap?

R: É complicado falar em direitos quando você consegue enxergar que você sempre teve os seus direitos. Deus, Ele é muito cuidadoso, sempre foi muito zeloso com a mulher desde o princípio. Às vezes nós não enxergamos, e assim… O diabo ele tem distorcido muito aquilo que Deus já tem feito. Imagina… Você nasce já com dons, com algo que vai te manter trabalhando, que vai te manter fazendo coisas para que você possa sustentar a sua família e cuidar da sua vida… Quer dizer, hoje, o homem inverteu (o ser humano, eu não falo o homem) os valores de Deus. A mulher sempre teve todos os privilégios que Deus deu para ela. Então, quando se fala de como eu vejo isso, como está crescendo… Eu acho que a mulher esta conseguindo alguns espaços que Deus já havia dado para ela, ela está conquistando o que já era dela. Não foi roubado! A gente tem que tomar muito cuidado com relação ao feminismo, porque, pra ser honesta eu não sou uma mulher feminista. A mulher ela tem que ter a posição dela, e a posição da mulher é de grande importância, ela é a vida, ela é aquela que coloca as coisas para funcionar, ela é aquela que faz as coisas acontecerem… Então a mulher por si só já é de grande importância no mundo.

 

  1. Como você vê os direitos da mulher dentro das igrejas cristãs e do seguimento evangélico?

R: Como eu vejo!!? Eu acho que a mulher… Ela está crescendo, ela tem as participações dela hoje dentro da igreja, graças a Deus! Ela é o grande suporte do homem. Um ministro ele tem que ter um suporte familiar, que é a mulher ali do lado dele. Eu acho que a maioria das coisas que acontecem em grandes ministérios… Eles devem muito as suas esposas, a mulher que organiza que faz as coisas acontecer. A sensibilidade que Deus nos deu, faz com que tudo aconteça. Quando você vê algo lindo acontecer dentro da igreja, quando você vê um evento lindo acontecer dentro da igreja, quando você vê um pastor pregando maravilhosamente bem, em paz dentro da igreja no púlpito… É que ele tem paz dentro da casa dele, é que ele tem paz em trabalhar pela igreja. Então… Eu acho que a mulher ela está fazendo um bom trabalho dentro da igreja amada!

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  1. Qual foi o momento mais marcante em sua carreira?

R: Eu diria que o momento mais marcante na minha carreira eram os momentos em que Deus me dava às músicas, as letras na madrugada. Acho que esses são os momentos mais marcantes que eu tenho na minha vida. Quando Deus me dava letras eu tinha que acordar e gravar naqueles gravadores de mão (rs) da época… Eu tinha que anotar tudo, porque era a criatividade que Deus me dava toda madrugada.

 

  1. Atualmente vemos que o ativismo feminista tem se intensificado no Brasil e as mulheres tem ocupado diversos cargos nas empresas que antes somente homens ocupavam, inclusive hoje temos presidindo o país a primeira presidenta mulher. O que você pensa sobre o feminismo e qual a importância da mulher para nossa sociedade?

R: A importância da mulher é primordial para a nossa sociedade. A mulher conquistou os seus espaços em cargos públicos, em estudar, em fazer uma faculdade… Antigamente ela ficava em casa, cuidava da casa, ela não tinha direito a escola… Se o marido estudasse já estava bom. Então é importante hoje a gente ver a mulher conquistando espaços para melhorar aquilo que a gente já é boa (não querendo ser ‘rs’ superior, nada disso… não é superioridade) são coisas que Deus já nos fez, isso é natural da gente. Mas, eu tenho muito medo do feminismo radical, eu não faço parte disso, eu não apoio o feminismo radical. Eu apoio a liberdade da mulher e dos direitos da mulher… Dela poder estudar, trabalhar, dela poder conquistar cargos, crescer financeiramente, emocionalmente. Eu aplaudo isso! Mas eu não faço parte de nenhum movimento feminista extremo e não concordo com ele, porque a partir de um momento que você é feminista, a ponto de você tirar a base que Deus colocou o homem como cabeça e a mulher como sendo a sua auxiliadora e, você deixa de ser a auxiliadora e quer ser o cabeça… Porque você ganha mais, porque você é mais inteligente, porque você é melhor, porque você é ‘A MINA’… Ai está o grande problema, é ai onde muitos relacionamentos acabam sendo destruídos pelo inimigo… Não só relacionamentos de casamento, mas relacionamentos de amizades, relacionamentos interpessoais… Coisas que a gente tem que prezar muito, a gente tem que tomar muito cuidado.

Deus colocou o homem como cabeça e a mulher pra ser o suporte na vida dele. E quando você se posiciona como ‘o cabeça’ de um relacionamento… Só porque ganha 12 mil dólares por mês e o marido ganha mil… Ele não pode falar quem manda aqui sou eu, quem paga as contas sou eu… Então, nos estamos dento um problema espiritual muito grave. Essa é uma das minhas maiores preocupações hoje. Eu adoro quando o homem vai e me leva pra um restaurante e paga a conta… Ele paga a conta, abre a porta, resolve as situações… Não que eu não possa pagar (eu sou aquela mulher que ajuda, eu faço parte das economias da casa, eu quero ajudar, eu quero fazer). Mas eu gosto de dar a honra ao homem de poder fazer aquilo que ele pode fazer pela família. E ser submissa (quero esclarecer uma coisa pra vocês) ser submissa não é ser tapete de ninguém, não é ser tapete do seu marido. Submissão, a palavra submissa no grego quer dizer ‘estar de baixo de uma proteção’… Então se você está de baixo de uma proteção, Deus já garantiu a você mulher uma proteção.

Aceite ser protegida! Aceite ser cuidada, aceite! Não tem nada de errado estar submissa a esses cuidados que o homem (naturalmente o assunto se estende, porque nós vamos voltar ao começo… falar de cultura, falar de criação… Uma série de coisas). Mas quando o homem assume a sua posição dentro do relacionamento e a mulher entende isso também, então tudo automaticamente flui, a sociedade vive melhor… Porque não tem nada que a gente possa mudar na Bíblia, entendeu! A Bíblia está lá, e ela está perfeita!

 

  1. Em muitos estilos musicais, inclusive no Rap, há uma grande vulgarização da mulher no conteúdo das letras e nas cenas dos videoclipes, como se a mulher fosse apenas objeto de prazer para o homem. Apesar deste fato, muitas mulheres (até mesmo algumas que fazem Rap no Brasil), acreditam que expor o corpo com sensualidade e se relacionar sem compromisso por prazer, faz parte dos direitos da mulher assim como do homem. O que você pensa sobre isso?

R: O livre arbítrio está aí! Você faz as suas escolhas. Deus nos deu a liberdade de escolhermos o que queremos fazer, como queremos usar o nosso corpo, mas, o preço de cada coisa também está aí. A consequência de você vender o seu corpo por dinheiro, de você querer se submeter aos mesmos erros que o homem faz só porque você acha que deve ter esse direito (Você tem esse direito de fazer o que você quiser com o seu corpo, com a sua vida). Paulo mesmo diz ‘que tudo me é lícito, porém nem tudo me convém. ’… Então, tudo eu posso fazer, mas nem tudo me convém. Eu acho que a mulher, se ela tiver um pouquinho de maturidade espiritual, se ela entender um pouquinho da palavra de Deus, ela vai buscar mais a Bíblia, ela vai ler mais a palavra de Deus e vai entender quanto cuidado Deus tem dado para a mulher dentro da própria palavra dele. Ela jamais vai caminhar por esses caminhos, jamais vai querer se igualar. Porque na verdade você querer um direito que só vai te destruir… Destruir o teu corpo, destruir a tua vida, destruir o teu relacionamento, destruir uma família… Não é um direito! Não é um direito bom! Não é um direito, não é um direito bacana. Vamos aprender escolher a fazer boas escolhas! Porque até nas boas escolhas, nós também temos um preço a pagar. Então, pese na sua vida aquilo que é melhor pra você, porque o preço é menor e você estará em paz com Deus, com todo esse universo maravilhoso que Deus nos fez para morar.

 

  1. Já enfrentou algum tipo de discriminação dentro do Rap por ser mulher? E dentro das igrejas?

R: Essa é uma pergunta bem interessante, porque quando eu comecei no RAP, o RAP era bem carente de mulher. É lógico que quem sempre comandou o RAP eram os homens, mas eu sempre me senti muito abraçada por cada um deles, porque eles viam que era algo diferente, que era algo inovador. Então eu não senti realmente nenhum tipo de preconceito. Dentro da igreja eu também não senti nenhum tipo de preconceito, muito pelo ao contrário. A gente usou o HIP-HOP para evangelismo, nós entendemos que existia uma linguagem no RAP que era acessível aquelas pessoas que só ouviam RAP. Então, eles realmente estavam abertos pra me ver, pra ouvir o que eu tinha a dizer. Foi um tempo muito bom na minha vida. Eu consegui cantar em lugares que eram muito restritos; como nos presídios. Foi muito impactante pra mim quando eu fui ao presídio fazer um evento. E assim, eu acho que não, não! Eu não tive nenhuma retenção, não tive nenhuma rejeição.

 

  1. Algo que não perguntei que gostaria de comentar?

R: Não exatamente. Eu quero que todos vocês entendam que todo extremismo (eu vou falar apenas assim… A única coisa que eu quero deixar bem claro). Todo extremismo é perigoso. Ser feminista e ser machista não é algo bom. Nós temos que ser ‘amoristas’ rs! Nós temos que dar amor uns aos outros, a gente tem que amar o nosso próximo e entender a Deus na maneira que Ele quer que a gente consiga fazer a nossa vida. A gente tem que entender os propósitos de Deus, tem que procurar entender isso. A partir do momento que você conhece e entende, fica tudo mais fácil. Feminista, não, eu não sou feminista.

Por: Aline M. Toschi e Anderson Ribeiro, colunistas do Blog Hip-Hop Gospel BR.

AS MULHERES CRISTÃS QUE FAZEM RAP NO BRASIL (PT. 3)

AS MULHERES CRISTÃS QUE FAZEM RAP NO BRASIL (PT. 2)

Essa é a nossa segunda parte da matéria especial dedicada ao mês das mulheres. Se você ainda não leu a primeira parte clique aqui e conheça nossas primeiras entrevistadas.

3) MINA CRISTÃ

Amanda Silva de Souza, 20 anos de idade, reside em Curitiba, Paraná.

 

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Mina Cristã conheceu a cultura Hip-Hop entre seus 11 para 12 anos de idade. Nasceu praticamente na igreja, desde pequena freqüentava aos cultos com sua mãe, porém não levava muito a sério. Quando conheceu o Rap Cristão, simplesmente se apaixonou e desde então tudo começou a fazer sentido em sua caminhada com Cristo, foi a partir desse encontro da garota com o Rap Cristão que ela veio a encontrar verdadeiramente o Deus criador.

Enfrentou preconceito por ser mulher e fazer Rap, mas isso não a impediu de continuar a falar do amor de Deus através de suas canções.

No ano de 2014 lançou sua primeira EP intitulada “A Profecia”, extraiu dela duas faixas na qual vieram a ter seus clipes produzidos pela Don Pablo Videoclipes, as faixas são “O Bagulho É Louco” e “Mulher Virtuosa”, essa segunda que alcançou mais de 110 mil visualizações em menos de 8 meses e vocês podem conferir clicando aqui.

  1. Atualmente qual sua profissão e quais seus projetos em andamento no Rap?

R: Atualmente estou desempregada, mas meu marido segura as contas até eu arrumar um emprego.

Tenho um blog chamado Paraná Hip-Hop, onde é divulgado o material de Rap paranaense, dentre eventos e músicas. Fazemos coberturas de eventos e entrevistas. Organizei o 1º Festival de Hip-Hop em Curitiba, e hoje organizo o segundo que acontecerá nos dias 23 e 24 de Julho de 2016. Atualmente estou em processo de gravação do meu segundo CD que terá 13 faixas, o lançamento está previsto para o final deste ano.

  1. Qual foi o momento mais marcante em sua carreira?

R: Foi quando organizei o 1º festival. Aconteceram muitas coisas, sofri ameaças dos residentes da região por simplesmente não ter mais tempo para colocar mais grupos para cantar. Alguns se revoltaram e me ameaçaram de morte, mas, no fim do evento vieram até mim e pediram desculpas. Hoje, todos são convertidos ao evangelho e dizem que foi por conta da minha atitude em levantar uma galera para se reunir e levar a palavra de Deus, que eles se converteram.

  1. Atualmente vemos que o ativismo feminista tem se intensificado no Brasil e as mulheres tem ocupado diversos cargos nas empresas que antes somente homens ocupavam, inclusive hoje temos presidindo o país a primeira presidenta mulher. O que você pensa sobre o feminismo e qual a importância da mulher para nossa sociedade?

R: Não gosto de falar que é feminismo, ou machismo, ou tanto faz. Acho que cada um deve respeitar os direitos dos outros e se preocupar com o que é realmente importante para a sociedade. As pessoas perdem muito tempo reclamando apontando o dedo uma para as outras e nem percebem que tem que mudar a si mesmas; a mudança começa por nós, e pra haver mudança alguém tem que se mexer. Deveríamos viver em união, assim seríamos mais fortes.

Contatos:

R: Twitter: @minacristaoficial

Instagram: @minacristaoficial

Facebook: Mina Cristã

E-mail contatominacrista@hotmail.com

4) P.A.

Ana Paula, 28 anos de idade, reside em Goiânia/GO.

 

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P.A. nasceu em um lar cristão e como acontece com muitos cristãos em um determinado momento de suas vidas, a rapper teve a sua fase na qual se desviou dos caminhos de Deus, mas é como diz a palavra do Senhor em Provérbios 22.6: “Ensina à criança o caminho que ela deve seguir; mesmo quando envelhecer, dele não se há de afastar”. P.A. retornou aos caminhos de Deus e continuou firme em sua batalha, olhando para o alvo Jesus Cristo.

É líder de célula juntamente com o seu esposo e organiza uma vez por ano um evento que se chama ‘Mover Hip-Hop’, no qual o seu foco é totalmente voltado ao trabalho de evangelismo.

  1. Quando e como foi que você conheceu a cultura Hip-Hop e passou a cantar Rap?

R: Conheci o Rap aos 13 anos de idade, ouvia muito Dina Di do Visão De Rua, me identificava muito com as letras.  Foi quando ao mesmo tempo, em meados do ano de 2.000, me chamaram para fazer uma participação em um grupo chamado Soldados da Fé.

  1. Como você vê os direitos da mulher dentro da cultura Hip-Hop e da cena do Rap?

R: Ah! Hoje tudo mudou, vejo as portas abertas para as mulheres, acho que só depende de nós. Antigamente, tinha que provar que éramos capazes de canta Rap ou fazer uma rima, hoje não! As coisas evoluirão bastante, mas ainda vejo as mulheres escondendo os seus talentos muitas vezes por falta de apoio.

  1. Em muitos estilos musicais, inclusive no Rap, há uma grande vulgarização da mulher no conteúdo das letras e nas cenas dos videoclipes, como se a mulher fosse apenas objeto de prazer para o homem. Apesar deste fato, muitas mulheres (até mesmo algumas que fazem Rap no Brasil), acreditam que expor o corpo com sensualidade e se relacionar sem compromisso por prazer, faz parte dos direitos da mulher assim como do homem. O que você pensa sobre isso?

R: Respeito cada mina que hoje faz o seu Rap, mas não concordo com certas atitudes. Acho que não precisamos sensualizar para chamar atenção e até mesmo nos expor, mas, cada ser humano representa da sua forma.

Contatos:

R: Twitter: PaSoAgradeco

Facebook: PaSoAgradeco

Instagram: PaSoAgradeco

Telefone: (62) 85970186

Por: Aline M. Toschi, colunista do Blog Hip-Hop Gospel BR.

AS MULHERES CRISTÃS QUE FAZEM RAP NO BRASIL (PT. 2)

AS MULHERES CRISTÃS QUE FAZEM RAP NO BRASIL (PT. 1)

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Em muitos países como aqui no Brasil em 8 de Março é celebrado o “Dia Internacional da Mulher” que foi instituído no final do século XIX no contexto das lutas femininas por melhores condições de vida e trabalho; e relacionando essa data a cena do Hip-Hop/Rap cristão logo vem a dúvida na cabeça de muitas pessoas: Existem mulheres cristãs que fazem Rap no Brasil? E a resposta é: Não, não só existem como também são bastante atuantes no país.

A questão é que os grandes veículos de comunicação voltados ao Hip-Hop brasileiro evidenciam mais artistas não cristãos (não sei por qual motivo), dando a impressão para o público de que Rap feminino é só Visão de Rua, Cris SNJ, Flora Matos, Karol Conka, entre outras excelentes MC’s que dão ênfase a representatividade feminina.

Bom, pra não ficar só de reclamação e questionamento, fui lá e conversei não com uma cantora de Rap cristão, mas logo com quatro que estão a todo vapor no Rap da era digital e de quebra conversei com uma quinta, que é nada menos do que A PRIMEIRA MULHER A FAZER RAP CRISTÃO NO BRASIL de que temos informação.

Para deixar a leitura mais agradável, dividi a matéria em três partes, sendo que ao final de cada deixarei o link para a parte seguinte.

Confira nossa matéria dedicada a moçada e conheça o pensamento das cristãs mais “maloqueras” do país:

1) MAYA OLIVER

Mayara Oliveira, 26 anos de idade, reside em Suzano, São Paulo.

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Maya Oliver cresceu em um lar cristão e diz ser muito grata a seus pais por terem a ensinado sobre Jesus. Conheceu o Hip-Hop quando tinha apenas 12 anos de idade, quando montou um grupo de Rap com o irmão, porém o irmão deixou a caminhada no início e ela seguiu em carreira solo sendo apoiada por alguns amigos.

Apesar de ser tão jovem, Maya já tem três álbuns lançados de maneira independente – quando seu nome artístico ainda era Mayara – e agora com essa mudança de nome lançou o single “Paz” (que pode ser ouvir aqui) e há pouco tempo fez uma colaboração no novo álbum do cantor Sérgio Saas, líder do conhecido Raiz Coral.

Maya, como poucos artistas cristãos tem o privilégio de trabalhar só com música, já que que assim como ela seu esposo também é músico e contribui financeiramente com as despesas. Para 2016 promete um novo EP, além de nos dizer que tem muitos projetos, pois é uma pessoa muito sonhadora.

Dentre as perguntas que fizemos para Maya, essas foram as respostas que selecionamos:

  1. Em muitos estilos musicais, inclusive no Rap, há uma grande vulgarização da mulher no conteúdo das letras e nas cenas dos videoclipes, como se a mulher fosse apenas objeto de prazer para o homem. Apesar deste fato, muitas mulheres (até mesmo algumas que fazem Rap no Brasil), acreditam que expor o corpo com sensualidade e se relacionar sem compromisso por prazer, faz parte dos direitos da mulher assim como do homem. O que você pensa sobre isso?

R: Bom, tenho a seguinte opinião: a mulher inteligente não usa seu corpo, mas a sua sabedoria. Creio que muitas mulheres expõem seu corpo por ibope e alguns minutos de fama, o que é triste de se ver, porém aquelas que são inteligentes vão usar seu talento, carisma e sua personalidade para dar seu melhor sem expor seu corpo.

  1. Já enfrentou algum tipo de discriminação dentro do Rap por ser mulher? E dentro das igrejas?

R: Nossa, essa pergunta faz meu coração acelerar (risos)…Já sofri muitos preconceitos por cantar Rap. Quem me conhece sabe que sou uma moça tímida e eu gosto de ser feminina; e teve muito preconceito dentro das igrejas por eu cantar um estilo tão agressivo. Naquela época muitos acharam que eu não iria adiante, eu era uma menina 12 anos apenas (se referindo a quando começou a cantar), mas não parei de cantar Rap, enfrentei toda pressão porque creio no meu chamado, o ide.

  1. Qual foi o momento mais marcante em sua carreira?

R: Foram muitos. Tive várias experiências nos eventos e igrejas, e até mesmo dentro das FEBEM. Ver vidas serem alcançadas pela palavra de Deus e poder estar ministrando através do Rap, vendo traficantes aceitarem á Jesus, poder estar com minha família levando a palavra de Deus, são momentos que marcaram e marcam minha vida.

 

Contatos:

instagram.com/eumayaoliver

facebook.com/eumayaoliver

2) SANDRINHA AMORIM

Alessandra Amorim Costa Pinto, 27 anos de idade, reside no JD. ABC, Diadema/SP.

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Assim como Maya, Sandrinha cresceu em um lar cristão, diz ter se afastado da igreja por um tempo, mas retornou por reconhecer sua dependência de Cristo. Começou no Rap aos 15 anos de idade, quando morava no bairro JD. Horizonte Azul (zona sul de SP) e foi influenciada por grupos como: Expressão Ativa, Detentos do Rap, Facção Central, Racionais, etc. Ela nos contou que no início começou a escrever músicas apenas pelo prazer que tinha de escrever, até que o integrante de um grupo próximo do bairro em que vivia, a convidou para cantar com ele, ela disse que: “…nunca havia pensado na possibilidade de cantar, pois não se enquadrava no estilo…”; mas entrou no grupo como Backing Vocal e permaneceu durante alguns anos. Participou também de um outro grupo chamado Biofonica, onde aperfeiçoou sua forma de compor e cantar.

A rapper trabalha como Educadora Infantil, mas em paralelo está finalizando seu primeiro disco oficial intitulado “Ele Vive”. Ela nos informou que tudo indica que sairá até o final do primeiro semestre desse ano, mas por enquanto vocês podem conferir o videoclipe da música “Oração” no YouTube.

Dentre as perguntas que fizemos para Sandrinha, essas foram as respostas que selecionamos:

  1. Como você vê os direitos da mulher dentro da cultura Hip-Hop e da cena do Rap?

R: As mulheres hoje ocupam um espaço grande no Rap, temos MC’s excelentes como a Stefanie (Ex-integrante do grupo Simples, formado por Kamau, entre outros), por exemplo, antes se viam menos representantes femininas, apesar de que as que estavam na cena na minha adolescência eram ótimas, vejo o quanto o Rap feminino enriqueceu e ganhou qualidade com o passar dos anos. Ainda sinto falta de mais representatividade no meio Gospel, mas acredito que também é uma questão de tempo para isso acontecer.

  1. Em muitos estilos musicais, inclusive no Rap, há uma grande vulgarização da mulher no conteúdo das letras e nas cenas dos videoclipes, como se a mulher fosse apenas objeto de prazer para o homem. Apesar deste fato, muitas mulheres (até mesmo algumas que fazem Rap no Brasil), acreditam que expor o corpo com sensualidade e se relacionar sem compromisso por prazer, faz parte dos direitos da mulher assim como do homem. O que você pensa sobre isso?

R: A vida é feita de escolhas e cada escolha tem sua consequência. Pra ser bem sincera não suporto algumas músicas e não entendo as mulheres se submeterem a participar desses videoclipes em que não as respeitam como mulheres, porém sigo fazendo as escolhas que me cabem, dentro da minha própria vida. Não posso escolher por elas e não saberia fazer isso. Realmente nosso pais é machista e uma mulher é julgada em situações que os homens não são fazendo exatamente a mesma coisa entende? Isso é fato. Tento a cada dia transformar meu pensamento para cada vez menos ter uma atitude condenatória com o outro, até porque se sou seguidora de Jesus preciso me parecer com Ele.

  1. Qual foi o momento mais marcante em sua carreira?

R: Tive vários momentos excelentes, porém acredito que o que mais marcou tenha sido as parcerias que fiz para esse meu CD, pois tive o privilégio de construir uma amizade com caras como Cacau Siqueira (Ex- Rap Sensation) e Fex Bandollero (Ex- Filosofia de Rua), pessoas que admiro demais.

  1. Atualmente vemos que o ativismo feminista tem se intensificado no Brasil e as mulheres tem ocupado diversos cargos nas empresas que antes somente homens ocupavam, inclusive hoje temos presidindo o país a primeira presidenta mulher. O que você pensa sobre o feminismo e qual a importância da mulher para nossa sociedade?

R: Bom, pra começar, sem a mulher nem teria sociedade não é? (risos). Acredito na legitimidade da luta feminista, porém não concordo com o radicalismo. Devo a essa luta minha oportunidade de trabalhar e ganhar meu próprio salário, quanto a isso não tenho dúvidas – apesar das mulheres ainda sofrerem com cargas horárias maiores e salários menores que o dos homens e com diversas situações de machismo nas ruas. No meio Gospel muitas vezes a Bíblia é mal interpretada e a mensagem é tratada como se colocasse a mulher em um sentido pejorativo de submissão, por exemplo, mas basta ler a Bíblia com atenção e discernimento pra ver que a mulher virtuosa na verdade é uma mulher forte, capaz, que administra sua casa e seus bens, compra e vende com inteligência (Provérbios 31:10), ou seja, não vejo que Deus criou a mulher para andar atrás do homem, mas sim do seu lado.

Contatos:

(11) 967265694

sandrinha_ilg@hotmail.com

Clique aqui para ler a segunda parte da matéria.

Por: Anderson Ribeiro, rapper e publicitário, colunista do blog Hip-Hop Gospel BR.

AS MULHERES CRISTÃS QUE FAZEM RAP NO BRASIL (PT. 1)

ENTREVISTA: CHARLES MC, PELA PRIMEIRA VEZ, FALA SOBRE SUA SAÍDA DO APOCALISPE 16

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Quem acompanha o Rap brasileiro desde os anos 90, conhece bem os grupos que se destacaram naquela época e se tornaram expoentes nos anos posteriores. Apocalipse 16 é um desses grupos, que se tornou um dos maiores do Rap nacional e o maior referencial para o Rap nacional cristão. No princípio este grupo foi fundado por dois integrantes: Pregador Luo e Charles MC, e logo após a formação se integrou ao grupo o DJ Betico. Juntos lançaram três discos: “Arrependa-se” (Em parceria com a gravadora Cosa Nostra dos Racionais), “2º Vinda [A Cura] – um disco clássico para o Rap nacional – e “Antigas Ideias, Novos Adeptos” (Com remixes de faixas antigas e algumas novas canções).

Após estes lançamentos, turnês nacionais com plateias lotadas, um grande sucesso, matérias em revistas e algumas premiações, os integrantes Charles MC e DJ Betico deixaram o Apocalipse 16 no auge da carreira. O real motivo? Até então ninguém havia perguntado para os “ex-APC 16”.

Após quase 10 anos desde a saída de Charles MC do grupo ícone do Rap cristão no Brasil, nós fomos até ele e fizemos as perguntas que você, fã da formação de ouro do Apocalipse 16, gostaria de fazer. Confira:

1) Salve meu mano Charles, em primeiro lugar quero agradecer a oportunidade de te entrevistar, pois realmente sou seu fã desde os 12 anos de idade, quando ganhei o CD do Apocalipse 16 “2ª Vinda [A Cura]” de presente de um amigo.

Pra começar nossa troca de ideias, nos conte como você conheceu o Rap e a cultura Hip-Hop, até se tornar um MC.

 

Charles: Minha influencia no Rap começou na década de 80, anos dourados do movimento, nomes como Grandmaster Flash, Ice Cube, Ice T, Run DMC, Public Enemy, Beastie Boys, Tupac Shakur, Salt’N’Pepa. No Brasil nomes como Thaide & DJ Hum. Logo a seguir começam a surgir novas caras no Rap nacional: Racionais MC’s, Pavilhão 9, Detentos do Rap, Câmbio Negro, Xis & Dentinho, toda essa galera foi de grande influencia na minha caminhada no Rap, tanto pelas batidas pesadas quanto pela ideologia social e criticas ao sistema.

2) Conte-nos também, como foi sua vida até conhecer á Jesus Cristo e decidir caminhar com ele.

 

Charles: Nasci num lar cristão esse foi o principal motivo de fazer Rap evangélico e conscientizar a galera que existe uma alternativa quando toda esperança nesse mundo e nesse sistema falido se vai.

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3) Você fez parte do maior grupo de Rap cristão que já existiu no Brasil, o lendário Apocalipse16, que se tornou referência até mesmo no Rap paralelo ao cristianismo. Como foi a sua entrada no grupo e sua experiência de ter participado?

 

Charles: Fui membro fundador do Apocalipse 16, comecei a caminhada com outros membros do grupo que na época se chamava Geração JC e já nos apresentávamos em vários lugares, com o passar do tempo um amigo em comum me apresentou o Luciano (Pregador Luo), aí então decidimos mudar o nome e daí em diante passou a chamar Apocalipse 16. Depois da gravação do disco “Arrependa-se” uniu-se a família o DJ Betico. Não tenho como dimensionar essa experiência, minha experiência com esses caras foi extraordinária, tocamos no Brasil inteiro propagando o evangelho e fazendo um som de qualidade que nos rendeu vários prêmios nacionais e internacionais.

4) Não sei exatamente quando foi sua saída do Apocalipse 16. Porém sabemos que até o álbum “Antigas Ideias, Novos Adeptos” você ainda era visto nos encartes e sua voz era bem presente nas músicas. O último trabalho que ouvi tendo você como integrante do APC 16 foi no álbum “RevoLUOção” do Pregador Luo. Você poderia compartilhar conosco quando exatamente foi sua saída do grupo e qual foi o real motivo?

 

Charles: Não me lembro também ao certo quando foi minha saída do Apocalipse 16, mas aconteceu de modo geral, não só eu, como toda 7 Tacas se desfez em sua formação original, os motivos são simples, tudo tem um começo e um fim, talvez minha saída do APC 16 não tenha acontecido de maneira planejada, divergência de ideias, entre outras coisas do ser humano, mais D-us sabe de todas as coisas. No final tudo deu certo, tomamos carreiras solo e hoje somamos para o reino do Senhor.

5) Ainda falando do APC 16, diversas músicas que emplacaram por todo Brasil contam com você nos vocais, como o hit “Muita Treta”. Era você quem escrevia suas partes na maioria das letras ou você era intérprete?

 

Charles: Eu era interprete, a única música que escrevi junto com o Luo foi a musica “Meu Mano” do disco “Arrependa-se”.

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6) O selo 7 Taças em determinada época se tornou também a banca 7 Taças, que creio ter sido o maior coletivo de MC’s/cantores/produtores cristãos que já houve no Brasil, revelando talentos como Lito Atalaia, Luciano Claw, Professor Pablo, entre outros. Como surgiu a banca 7 Taças e qual era a proposta desse projeto? Você ainda mantém contato com os integrantes do extinto coletivo?

 

Charles: O objetivo era ser independente, sem precisar depender dos contratos e do controle das grandes gravadoras e poder ajudar aquela galera que tinha talento, mas não tinha oportunidade de lançar seu próprio trabalho. O sucesso do APC 16 poderia contribuir com isso e ajudar essa galera a ter notoriedade no mercado fonográfico cristão. Ainda mantenho contato com essa galera inclusive com o Luo.

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7) Acredito que todos fãs que acompanham o Apocalipse 16 desde o início, acham que a melhor formação do grupo foi Luo, DJ Betico e você. Qual sua relação com o Luo e o Betico atualmente? Já houve a ideia de vocês voltarem com essa formação clássica do grupo?

 

Charles: O Betico ainda é meu parceiro musical e esta envolvido com meus projetos atuais, e hoje também mantenho boa relação com o Luo, nos falamos via WhatsApp sempre que possível. Quanto a voltar com a antiga formação é quase impossível humanamente falando, o que fica são os momentos que vivemos tantos os bons quanto os ruins, porque todos os momentos estávamos juntos, e esse foi o segredo do sucesso do APC16.

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8) Qual foi o melhor momento que você teve em sua vida como MC e cristão?

 

Charles: Como MC foi no show do Anhembi onde cantei pra 40 mil pessoas, o evento tinha como atração nacional o Racionais MCs e internacional o Naughty By Nature. Quando eu estava cantando desmontou uma parte do palco e cai no vão do buraco cantando e não parando de rimar fui aclamado pelas 40 mil pessoas, na época a revista SHOW BIZ escreveu 10 linhas sobre o evento e as 10 linhas falavam do meu trágico momento no show (risos).

9) Quem são suas referências na música e no evangelho?

 

Charles: Na música ninguém (pensei um “tempão”). No evangelho ninguém (fiquei tentando achar alguém pra citar um “tempão” também), porque minhas referências no evangelho são pessoas que estão fora dos holofotes da mídia cristã. Não é arrogância da minha parte não, é que já estou cansado das palhaçadas no meio que se diz “evangélico”, pessoas sem compromisso nenhum falando de um D-us, estranho pra mim. Quem se ofender com o que eu disse é que a carapuça serviu certinho.

10) Seu último lançamento que vi, foi quando participou do DVD “Aperte o Play Vol. 2” com a música “O MC”. Qual sua profissão atual? Você pretende dar continuidade a sua carreira no Rap? Se sim, quais são os projetos que estão em andamento?

 

Charles: Sim, meu disco solo está em andamento e ficou parado por um tempo, nesse meio tempo fui estudar, trabalhei um tempo como técnico em segurança do trabalho, fiz SENAI, Desenho Técnico, Design Gráfico; Teologia pelo instituto Alfa e Ômega, durante 5 anos tive um comércio de importados e atualmente faço engenharia. Estou com projetos em andamento com um grupo de Rap judaico chamado “Mashiach Roots”, que numa tradução livre quer dizer raízes do Messias.

11) Deixe um salve pra galera que acompanha o blog Hip-Hop Gospel BR…

Charles: Pra mim é sempre uma grande satisfação saber que ainda tem pessoas que admiram o trabalho que o Apocalipse 16 fez no passado e que foram frutos dessa caminhada, só tenho a agradecer ao Eterno Elohim por tudo isso. Aqueles que foram alcançados naquela época e estão lendo essa entrevista, que continuem firmes nas promessas de Yeshua Hamashiach (Jesus cristo), ele não falhará. E os novos adeptos “FIQUEM FIRMES”, o Adon Yeshua (Jesus) é o único que pode fazer verdadeira mudança na sua história, tanto nos seus projetos atuais como nos futuros e também Ele é o controle de tudo, e nEle você pode encontrar segurança em meio as crises e as mazelas da vida.

Por: Anderson Ribeiro, rapper e publicitário, colunista do Blog Hip-Hop Gospel BR.

ENTREVISTA: CHARLES MC, PELA PRIMEIRA VEZ, FALA SOBRE SUA SAÍDA DO APOCALISPE 16

Entrevista: Marvin Satiro fala sobre seu EP “Reconciliação”

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No ano de 2015 surgiram alguns novos artistas cristãos na cena do Rap nacional que ganharam respeito e admiração do público pelos seus lançamentos inovadores e diferenciados. Entre eles, um grande destaque foi o Marvin Satiro que nos apresentou seu primeiro EP “Reconciliação”, produzido por Wzy (que já trabalhou com nomes de peso, como Max B.O., por exemplo).

O rapper paulista já rimava antes de sua conversão ao cristianismo, porém só agora na cena cristã Marvin conseguiu uma audiência maior em sua carreira. Com um flow arrastado e rimas em alguns momentos humorísticas ou satíricas, Marvin realmente trouxe um grande diferencial pra cena do Rap cristão brasileiro, que por anos permaneceu “monótona”, talvez pela semelhança musical dos artistas que pouco exploravam novas formas de composição, seguindo a linha dos clássicos Apocalipse 16, DJ Alpiste, Provérbio X, etc.

Na capa do EP uma foto do Marvin, quando criança, fantasiado de elefante, no sobrenome artístico “Satiro”. Conversamos com esse cara pra saber um pouco mais sobre seu EP e deixamos a dica: Leia essa entrevista e conheça esse trabalho fantástico que ficou em quinto lugar na nossa lista dos 10 melhores discos no Rap cristão nacional em 2015.

1) Quem é o Marvin Satiro pra quem ainda não conhece? Se apresente mano.

Marvin: É sempre muito difícil falar de si mesmo “haha”, mas vamos lá, eu sou um sonhador alguém que acredita no amor como chave de mudança e conhecendo a Cristo eu aprendi que alguns sonhos no decorrer de nossa vida morrem, mas o que carregamos como ideal nunca morre.

2) Nós do blog Hip-Hop Gospel BR classificamos o seu EP “Reconciliação” em quinto lugar na lista dos 10 melhores discos de 2015 no Rap cristão nacional, o que você acha disso e qual a importância desse tipo de “lista classificatória” para a música cristã?

Marvin: Eu me vejo como um cara cristão que faz Rap, a única forma que eu classifico qualquer tipo de musica é como boa ou ruim, porém nem todas as pessoas pensam assim e acabam ignorando os artistas cristãos em lugares que eles poderiam também disseminar a mensagem e suas obras, eu fico muito feliz em participar da lista independente de colocação, mas por estar vendo tal divulgação e propagação ao nosso Rap, se não existe nenhum veículo que propaga então que façamos nós.

 

3) O seu EP é intitulado de “Reconciliação”. Por qual motivo você escolheu esse nome? Qual foi a sua principal inspiração para esse tema?

Marvin: O EP foi baseado em 2ª Coríntios 5:18-21 (Bíblia Sagrada) onde a palavra nos fala a cerca do ministério da reconciliação, tanto mostrando que Deus nos reconciliou através de Cristo quanto também fala do dever de cada um em passar essa mensagem adiante, e as faixas conversam umas com as outras mesclando esses temas.

4) Na música “Ganhei Irmãos”, você fala sobre os amigos cristãos que ganhou após sua conversão ao cristianismo e também comenta sobre os amigos que deixaram de fazer parte do seu ciclo de amizades por essa decisão. O que você teria a nos dizer sobre essa experiência de “perder amigos” por uma decisão de fé, sendo que talvez alguns desses amigos podem ter compartilhado dos momentos mais marcantes da sua vida?

Marvin: Na faixa “Ganhei Irmãos” eu falo dos amigos (falsos amigos) que a gente tem e que com a nossa mudança por conta de Cristo não querem ter mais contato, mas o verdadeiro amigo respeita e entende a sua postura, pois a verdadeira amizade está baseada no amor independente de religião, até porque não me considero um religioso.

5) É nítida a influência do Trap – que tem sido referência mundial na música Rap – na produção musical do seu EP. Pretende continuar com essa pegada em seu próximo trabalho?

Marvin: Vai ter, porém vou explorar outros campos também, eu não me prendo a um gênero, é sempre bom pintar em novas telas, “haha”.

6) Em sua música “Não É De Deus”, você relata sobre o líder religioso que prega heresias para o público de uma determinada seita. Em algum momento da sua vida você presenciou fatos como esse? Qual é a sua opinião sobre pessoas que ensinam de maneira incorreta sobre textos da Bíblia Sagrada para benefício financeiro particular?

Marvin: Tem que queimar tudo “hahahaa” (zueira), então não é sobre uma pessoa em particular, inclusive essa música fala de vários temas e atitudes que não são de Deus, a música é uma narrativa, eu vejo as coisas e escrevo, mas não estou na posição de julgar ninguém. A música convida o ouvinte a fazer a sua própria avaliação, por isso a música não cita nomes, só fala das coisas erradas, quem da nome aos bois é o ouvinte. Vale lembrar também que tive o privilégio de contar com o Cacau Siqueira (um dos fundadores do grupo Rap Sensation) nessa faixa.

7) Quais são suas referências na música? E no evangelho?

Marvin: Quando eu ganhei o meu primeiro PC eu pude pesquisar um pouco e acabei percebendo que no Brasil a galera escutava mais Los Angeles ou Nova York, então pela curiosidade do restante eu acabei mais próximo do Rap do sul, essa pergunta é até um complemento da 5, esse meu disco veio Trap porque pra mim é inerente, é só uma evolução do que eu sempre escutei. No evangelho é Cristo.

8) Já tem algum novo projeto musical em andamento? Se puder, compartilhe conosco detalhes como produtores, se haverá participações, etc.

Marvin: Sim, será um EP chamado “Cantares de Marvin”, Deus me concede a honra em trabalhar com pessoas incríveis, nesse trampo tem participação do cantor Jr. Klein e na produção tem beats do Diego Martinz, Gambia e Wzy; esse último responsável também pela mixagem e masterização.

9) Algo que não perguntamos que você queira comentar?

Marvin: Não.

10) Deixe um salve pra galera que acompanha o blog Hip-Hop Gospel BR…


Marvin:
“Acima de tudo, amem sinceramente uns aos outros, pois o amor perdoa muitos pecados.” (1ª Pedro 4:8 – Bíblia Sagrada).

Por: Anderson Ribeiro e Aline M. Toschi, colunistas do blog Hip-Hop Gospel BR.

Entrevista: Marvin Satiro fala sobre seu EP “Reconciliação”

Vídeo: MN MC lança “Detesto Religião”

No dia 14 de Janeiro o rapper MN MC apresentou ao público sua nova música “Detesto Religião” que foi lançada também em vídeo com cenário que remete a clássicos filmes de terror.

De acordo com o rapper esse trabalho representa uma ruptura com o “sistema religioso” no qual ele mesmo conviveu durante os dez anos de carreira artística e o ministério cristão pelo qual ficou conhecido: MN e a Junção. A música faz parte de uma série intitulada “O Crente Loko da Igreja Hospício”, projeto em que MN MC pretende lançar uma música por mês até o final de 2016 tratando de seus pensamentos particulares acerca de variados temas.

Em comemoração aos seus dez anos de carreira, além dessa série, o rapper também vai lançar em Fevereiro pelo seu selo Crente Loko Produções uma coletânea que reunirá as melhores músicas dos seus álbuns anteriores. Siga o MN MC no Facebook e fique por dentro das novidades. Abaixo confira o vídeo da música “Detesto Religião”:

Por: Aline M. Toschi, colunista do blog Hip-Hop Gospel BR.

Vídeo: MN MC lança “Detesto Religião”

ENTREVISTA: KIVITZ FALA SOBRE SEU EP “CASA ≠ LAR”

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O nome Kivitz não soa estranho pra você que conhece os ícones do cristianismo no Brasil não é mesmo? Pois então, se você pensou no teólogo, escritor e pastor Ed René Kivitz, pensou certo, porque nosso entrevistado é o filho dele Vitor Kivitz, que não seguiu exatamente os passos do pai (em termos). Kivitz também é cristão, mas um cristão diferente do padrão que você conhece, ele é rapper e lançou o EP “casa ≠ lar”, eleito em primeiro lugar pelo nosso blog entre os 10 melhores discos no Rap cristão nacional em 2015.

Conversei com o Kivitz que é totalmente desprendido de radicalismo e religiosidade pra saber porque tem até “palavrão” no EP dele, e ele respondeu essa entre outras perguntas, confira:

1) Pra começo de conversa. Quem é o Kivitz para o próprio Kivitz?

Kivitz: Mano, não é preguiça de responder, não, mas estou tentando descobrir. É uma busca que levo muito a sério. O que posso dizer é que tento seguir os passos de Jesus de Nazaré e agradeço ao Pai por me permitir tentar.

2) Nós do blog Hip-Hop Gospel BR classificamos o seu EP “casa ≠ lar” em primeiro lugar na lista dos 10 melhores discos de 2015 no Rap cristão nacional, o que você acha disso e qual a importância desse tipo de “lista classificatória” para a música cristã?

Kivitz: É legal pelo reconhecimento, mas o que importa é a identificação com quem faz a lista. No caso você se identificou de fato com minha música e isso me emociona. A lista é fria, mas a relação ouvinte-artista é verdadeira.

3) O que me chamou atenção de cara em seu EP, foi o fato de você utilizar a palavra “puta” se referindo à palavra prostituta na música “O Último Cristão”. Obviamente todos sabemos (ou deveríamos) que a palavra puta é praticamente um resumo de prostituta. Porém sabendo da defasagem na educação brasileira e os costumes de linguagem do público cristão, você não temeu retaliações ou críticas negativas ao utilizar essa palavra considerada torpe pelos conservadores?

Kivitz: Não. As poesias nasceram com essas palavras aí. Trocá-las seria um desaforo com a arte.

4) Ainda sobre palavras citadas em seu EP, notei que em mais de uma música você faz referência ao rapper Sabotage. Alguma admiração em especial pelo finado Maurinho?

Kivitz: Com certeza. Sabota é umas das maiores referências pra qualquer um que faz RAP no Brasil (ou deveria ser). Sua voz, musicalidade, flow e ideias já seriam suficientes pra isso. Mas é mais que isso. A humildade, e principalmente, a alegria dele fascinam. O amor explícito pelas crianças do Canão, o contato dele com elas, pô, acho isso lindo.

5) Na música “Profetas” pelo que entendi, você compara os MC’s do Rap nacional aos profetas da Bíblia Sagrada. Você acredita que independente de crença ou religião, os artistas da música podem com seus dons contribuírem com a expansão do reino de Deus aqui na Terra?

Kivitz: Irmão, o Reino de Deus não tem nada a ver com crença e religião. Artistas contribuíram e contribuem para a expansão do Reino. A história confirma.

6) Na produção musical do EP notamos bastante musicalidade, instrumentos tocados por músicos, um ambiente mais banda que foge da tendência do Rap que em sua maioria é produzido por beatmaker. Tanto na “gringa” quanto aqui no Brasil o estilo de produção Trap está em evidência, você gosta desse estilo? Porque no seu EP a produção não seguiu essa linha?

Kivitz: Gosto de ouvir alguns, sim. Eu e o Douglas, irmão que produziu comigo, deixamos os músicos bem à vontade pra se colocar no projeto como quisessem. Cada um possui referências distintas e foi essa soma que deu a cara do EP.

7) Quais são suas referências na música? E no evangelho?

Kivitz: Vish, muita gente. Vou destacar o que ouvi essa semana: Dani Black, Clovis Pinho e Sujeito a Guincho. No evangelho vou colocar meu pai, minha mãe e meu sogro, mas é MUITA GENTE.

 

8) Após esse EP, o que você planeja para a sua carreira?

Kivitz: Tive o privilégio de me tornar amigo do Will Bone, um músico monstro que toca de tudo. Já estamos produzindo um novo projeto com algumas faixas.

9) Algo que não perguntei que você queira comentar?

Kivitz: Suave.

10) Deixe um salve pra galera que acompanha o blog Hip-Hop Gospel BR…

Kivitz: Salve, família. O HIPHOP é uma cultura de inclusão, de tolerância, de respeito e, principalmente, de amor. O RAP é uma música que carrega muita identidade, crítica social, sonhos, causas e, às vezes, até propostas. O HIPHOP e o RAP são ferramentas maravilhosas e devem ser levadas a sério, sim, mas eu tenho visto algumas pessoas levando a sério DEMAIS. O RAP é compromisso e o compromisso é com as PESSOAS! A arte e a música existem para as PESSOAS. As PESSOAS são mais importantes do que o RAP e o HIPHOP. Usem essas ferramentas com sabedoria! E obrigado pela atenção! Deus abençoe.

Por: Anderson Ribeiro, rapper e publicitário, colunista do blog Hip-Hop Gospel BR.

ENTREVISTA: KIVITZ FALA SOBRE SEU EP “CASA ≠ LAR”